Friday, March 09, 2007

Entrevista ao Professor José Machado Pais

BYP - Como descobriu a Batoto Yetu Portugal-BYP?

JMP - Tinha sido convidado a participar numa pesquisa sobre jovens, apoiada pela União Europeia. Em cada um dos países participantes havia que seleccionar três projectos envolvendo jovens. Depois de ter feito uma prospecção e recolhido algumas informações, decidi que um dos projectos seria mesmo o Batoto Yeto. Uma das colegas que mais me incentivou a conhecer a BYP foi a Profª. Maria Ionnis Baganha, da Universidade de Coimbra. Ela estuda migrações e questões étnicas e, também por viver no concelho de Cascais, conhecia bem o projecto.

BYP - Qual a razão de ter apoiado e participado no projecto?

JMP - Foi paixão à primeira vista. À primeira vista e – é caso para dizer – ao primeiro ouvido! Quando vemos as danças e ouvimos as percussões não podemos ficar indiferentes. Há uma energia contagiante que nos envolve. Dei logo comigo a fazer batidas com o pé no chão, mesmo sentado. Isto do ponto de vista artístico. Mas o projecto não se resume apenas ao lúdico. Tem objectivos orientados para a integração social de jovens que, pelas suas condições sociais, têm dificuldades em encontrar os melhores rumos de vida.

BYP - O que distingue este projecto dos outros de carácter semelhante para ter querido participar?

JMP - Fiquei seduzido pela forma como, entre os jovens byp, se harmoniza o prazer da dança e da música com os horizontes de realização pessoal e profissional.

BYP - O que gostava que a Batoto Yetu viesse a tornar-se no futuro em Portugal?

JMP - A consolidação da realidade prometedora que tem sido no passado.

BYP - Trouxe-lhe algo de novo a nível pessoal o facto de ter trabalhado com o projecto?

JMP - Beneficiei, sobretudo, de gratificações emocionais. Aprendi a admirar jovens cujas conquistas têm muito mais valor do que as daqueles jovens que quase nada têm para conquistar porque têm quase tudo à mão. E, finalmente, descobri que a minha alma é africana.

BYP - Acha que a Batoto Yetu mudou alguma coisa a nível cultural/étnico na sociedade portuguesa?

JMP - A consciência da discriminação social exacerba o sentimento de comunhão étnica. No entanto, no projecto BYP notei uma propensão à partilha cultural. Por exemplo, em algumas das suas exibições, verifiquei que os jovens da Batoto Yetu convidam os assistentes a dançarem as suas músicas. Desse ponto de vista, essa partilha sugere que a diversidade cultural não é incompatível com a integração social.

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